Scientific Community

A space that allows us to keep up with the news about Asperger Syndrome (Autistic Spectrum Disorder).

On the last few months new information has come to light regarding two essential aspects:

  • About 25% of the children with autism when they turn 18 years old they do not have significant deficits.
  • Many of the children diagnosed with ADHD (Attention Deficit Hyperactivity Disorder) during the early years of life they have an Autism Spectrum Disorder. Therefore, we should be cautious when searching signs comparable with autism on these children.
'Although these experiences with lab rats have no direct application on humans', Patrícia Monteiro highlights that the study (as mentioned below) 'helps to understand the set of biological alterations present in Autism. This study opens the door to the development of new therapeutic strategies, for instance, strategies directed to the improvement of certain behaviour alterations amenable to be reversed in adult life and not to the framework of behaviour alterations of autism as a whole
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STUDIES

Ambiente na Perturbação do Espetro do Autismo (PEA): o que se sabe hoje?

O desenvolvimento de novas tecnologias e grandes estudos de base populacional têm projetado recentemente uma nova luz sobre o possível impacto de alguns fatores ambientais na etiologia da PEA. Por exemplo, sabemos que todos os gémeos partilham o seu ambiente desde a conceção, e que os gémeos iguais (monozigóticos) partilham também todos os seus genes, enquanto que gémeos diferentes (dizigóticos) apenas têm em comum metade dos seus genes. Assim, a comparação da concordância para a PEA entre gémeos iguais e entre gémeos diferentes podem fornecer uma estimativa sobre a importância relativa de fatores ambientais e fatores genéticos na etiologia do autismo. Embora estes estudos já se façam há muitos anos, recentemente foram alargados a grandes grupos de gémeos, permitindo um cálculo muito mais rigoroso que sugere que fatores ambientais contribuem de forma importante para o risco de desenvolvimento da PEA. Tendo esta evidência em mente, Modabbernia, Velthorst e Reichenberg analisaram sistematicamente todas as publicações de revisão e meta-análises sobre fatores ambientais e risco de PEA até 2016, reportando em 2017 uma visão epidemiológica abrangente1.

 

A análise referida mostra claramente que fatores como a vacinação, o tabagismo materno e a exposição ao timerosal não estão relacionados com o risco de PEA e que muito provavelmente as tecnologias de reprodução assistida também não têm qualquer impacto. Por outro lado, alguns outros fatores de risco contribuem para um maior risco de PEA, nomeadamente a idade avançada dos pais e as complicações no parto associadas a trauma, isquemia ou hipoxia. Outros fatores relacionados com a gravidez, como a obesidade materna, a diabetes materna e a cesariana, mostraram contribuir relativamente pouco para o risco de PEA. Uma associação forte e dependente da dose foi encontrada entre a utilização de valproato (fármaco utilizado para tratamento da epilepsia) durante a gravidez e o risco de PEA e de outros problemas de neurodesenvolvimento, enquanto os resultados para a utilização de fármacos inibidores da recaptação de serotonina não foram conclusivos. Relativamente à nutrição e à utilização de suplementos, os efeitos benéficos da toma de ácido fólico e ômega 3 não foram claramente demonstrados. O estudo mostrou ainda que os níveis de vitamina D são significativamente mais baixos em crianças com PEA do que em crianças com desenvolvimentos típico, embora não seja clara a causalidade. Outra área abordada foi a exposição a toxinas ambientais, nomeadamente a poluição atmosférica, timerosal, mercurio inorgânico e chumbo. Uma associação foi encontrada entre a exposição pre-natal a micro-partículas no ar e o risco de PEA, mas com efeito relativamente pequeno. Como acima referido, a exposição a timerosal nas vacinas não aumenta o risco de PEA. No entanto, exposição a níveis elevados de mercúrio inorgânico de outras fontes ambientais poderá contribuir para a PEA. De entre os metais pesados analisados em vários tecidos, incluindo sangue, cabelo dentes ou urina, os resultados mais consistentes foram de uma associação entre

os níveis de chumbo e mercúrio inorgânico e a PEA; no entanto a maioria dos estudos têm limitações no seu desenho, e para uma conclusão definitiva há que fazer uma investigação mais aprofundada.

Uma questão fundamental sobre a associação entre fatores de risco ambientais e PEA é se esta associação representa uma causalidade ou é devida a confundimento. Por exemplo, as associações de complicações no parto com a PEA podem ser devidas a uma condição genética que se apresenta com sintomas de ASD e que leva a complicações no parto. Assim, alguns fenómenos poderão ser observados mais frequentemente em crianças com autismo, mas não serem a causa do autismo. Por outro lado, os mecanismos das associações encontradas entre fatores ambientais e o risco de PEA são atualmente debatidos, incluindo interações entre genes e ambiente, alterações no sistema imune, perturbações endócrinas ou alterações nas vias de sinalização do cérebro. A partir dos estudos observacionais em que esta análise foi baseada, é muito difícil estabelecer uma causalidade, e é importante que o desenho de estudos futuros possa contemplar uma análise mais inferencial. Por outro lado, a análise das interações entre uma susceptibilidade genética e a exposição ambiental poderá contribuir para uma visão mais clara da etiologia da PEA.

Em comparação com estudos genéticos, os estudos sobre fatores de risco ambientais estão ainda no seu inicio e portanto têm limitações metodológicas significativas. Estudos futuros beneficiariam de uma abordagem mais abrangente, incluindo uma quantificação mais precisa da exposição, em populações de maiores dimensões para detetar efeitos mais subtis, a avaliação da exposição em relação a períodos críticos de desenvolvimento e a interação dinâmica entre o gene e o ambiente.

 

1 Amirhossein Modabbernia, Eva Velthorst,  and Abraham Reichenberg. Environmental risk factors for autism: an evidence-based review of systematic reviews and meta-analyses. Molecular Autism (2017)8:13.

O desenvolvimento de novas tecnologias e grandes estudos de base populacional têm projetado recentemente uma nova luz sobre o possível impacto de alguns fatores ambientais na etiologia da PEA. Por exemplo, sabemos que todos os gémeos partilham o seu ambiente desde a conceção, e que os gémeos iguais (monozigóticos) partilham também todos os seus genes, enquanto que gémeos diferentes (dizigóticos) apenas têm em comum metade dos seus genes. Assim, a comparação da concordância para a PEA entre gémeos iguais e entre gémeos diferentes podem fornecer uma estimativa sobre a importância relativa de fatores ambientais e fatores genéticos na etiologia do autismo. Embora estes estudos já se façam há muitos anos, recentemente foram alargados a grandes grupos de gémeos, permitindo um cálculo muito mais rigoroso que sugere que fatores ambientais contribuem de forma importante para o risco de desenvolvimento da PEA. Tendo esta evidência em mente, Modabbernia, Velthorst e Reichenberg analisaram sistematicamente todas as publicações de revisão e meta-análises sobre fatores ambientais e risco de PEA até 2016, reportando em 2017 uma visão epidemiológica abrangente1.

 

A análise referida mostra claramente que fatores como a vacinação, o tabagismo materno e a exposição ao timerosal não estão relacionados com o risco de PEA e que muito provavelmente as tecnologias de reprodução assistida também não têm qualquer impacto. Por outro lado, alguns outros fatores de risco contribuem para um maior risco de PEA, nomeadamente a idade avançada dos pais e as complicações no parto associadas a trauma, isquemia ou hipoxia. Outros fatores relacionados com a gravidez, como a obesidade materna, a diabetes materna e a cesariana, mostraram contribuir relativamente pouco para o risco de PEA. Uma associação forte e dependente da dose foi encontrada entre a utilização de valproato (fármaco utilizado para tratamento da epilepsia) durante a gravidez e o risco de PEA e de outros problemas de neurodesenvolvimento, enquanto os resultados para a utilização de fármacos inibidores da recaptação de serotonina não foram conclusivos. Relativamente à nutrição e à utilização de suplementos, os efeitos benéficos da toma de ácido fólico e ômega 3 não foram claramente demonstrados. O estudo mostrou ainda que os níveis de vitamina D são significativamente mais baixos em crianças com PEA do que em crianças com desenvolvimentos típico, embora não seja clara a causalidade. Outra área abordada foi a exposição a toxinas ambientais, nomeadamente a poluição atmosférica, timerosal, mercurio inorgânico e chumbo. Uma associação foi encontrada entre a exposição pre-natal a micro-partículas no ar e o risco de PEA, mas com efeito relativamente pequeno. Como acima referido, a exposição a timerosal nas vacinas não aumenta o risco de PEA. No entanto, exposição a níveis elevados de mercúrio inorgânico de outras fontes ambientais poderá contribuir para a PEA. De entre os metais pesados analisados em vários tecidos, incluindo sangue, cabelo dentes ou urina, os resultados mais consistentes foram de uma associação entre

os níveis de chumbo e mercúrio inorgânico e a PEA; no entanto a maioria dos estudos têm limitações no seu desenho, e para uma conclusão definitiva há que fazer uma investigação mais aprofundada.

Uma questão fundamental sobre a associação entre fatores de risco ambientais e PEA é se esta associação representa uma causalidade ou é devida a confundimento. Por exemplo, as associações de complicações no parto com a PEA podem ser devidas a uma condição genética que se apresenta com sintomas de ASD e que leva a complicações no parto. Assim, alguns fenómenos poderão ser observados mais frequentemente em crianças com autismo, mas não serem a causa do autismo. Por outro lado, os mecanismos das associações encontradas entre fatores ambientais e o risco de PEA são atualmente debatidos, incluindo interações entre genes e ambiente, alterações no sistema imune, perturbações endócrinas ou alterações nas vias de sinalização do cérebro. A partir dos estudos observacionais em que esta análise foi baseada, é muito difícil estabelecer uma causalidade, e é importante que o desenho de estudos futuros possa contemplar uma análise mais inferencial. Por outro lado, a análise das interações entre uma susceptibilidade genética e a exposição ambiental poderá contribuir para uma visão mais clara da etiologia da PEA.

Em comparação com estudos genéticos, os estudos sobre fatores de risco ambientais estão ainda no seu inicio e portanto têm limitações metodológicas significativas. Estudos futuros beneficiariam de uma abordagem mais abrangente, incluindo uma quantificação mais precisa da exposição, em populações de maiores dimensões para detetar efeitos mais subtis, a avaliação da exposição em relação a períodos críticos de desenvolvimento e a interação dinâmica entre o gene e o ambiente.

 

1 Amirhossein Modabbernia, Eva Velthorst,  and Abraham Reichenberg. Environmental risk factors for autism: an evidence-based review of systematic reviews and meta-analyses. Molecular Autism (2017)8:13.

Consórcio SPARK - Iniciativa visa recrutar 50000 famílias a fim de acelerar a investigação na Perturbação do Espetro do Autismo
Um dos maiores desafios no estudo da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é o facto desta perturbação apresentar um quadro clínico muito variado, possivelmente devido a uma enorme complexidade dos mecanismos genéticos que estão na sua base. Até hoje foram identificadas múltiplas causas genéticas para a PEA, levando à suspeita de que centenas de genes se poderão combinar de inúmeras maneiras para influenciar o risco de desenvolver autismo. Adicionalmente, sabe-se que fatores não-genéticos, como a exposição a alguns tóxicos ambientais, podem também influenciar este risco. Dada a provável grande complexidade dos mecanismos fisiológicos que levam à PAE, para que os estudos sobre a PEA tenham sucesso é necessário recolher dados clínicos e genéticos de centenas de milhares de indivíduos. Quantos mais participantes tiver o estudo, maior confiança podemos ter na veracidade dos resultados obtidos e maior o impacto no diagnóstico e tratamento da PEA.

Em 2016, a SFARI (Simons Foundation Autism Research Initiative), um dos mais notórios programas dedicados à investigação em autismo, lançou aquele que visa ser o maior estudo de sempre da PEA: o estudo SPARK (Simons Foundation Powering Autism Research for Knowledge). Com a missão de construir uma comunidade online entre famílias de pessoas com PEA e investigadores, a SPARK pretende, a longo-termo, recolher e dar acesso a dados médicos e genéticos de 50000 famílias americanas a investigadores de todo o mundo, mediante autorização por um comité científico e salvaguardando adequadamente a confidencialidade dos dados. Isto significa que os dados serão disponibilizados apenas a projetos com grande mérito científico, que possam comprovadamente contribuir para o avanço do conhecimento da PEA. Igualmente, os dados serão apenas partilhados após autorização dos participantes, que serão parte ativa no estudo. A SPARK compromete-se, ainda, a dar suporte e informação a todos os participantes. Em particular, por exemplo, sempre que uma alteração num gene com significado clínico para a PEA for encontrada, a família em questão será contatada.

Nos primeiros 12 meses do estudo, entre maio de 2016 e maio de 2017, foram recrutados para o estudo SPARK 18089 indivíduos com PEA e 28515 membros das suas famílias. Dada a importante componente genética da PEA, a recolha de dados de familiares de indivíduos com PEA é crucial. Este recrutamento teve lugar através de clínicas e hospitais, facilitando a interação das equipas de investigação com os participantes, sendo a recolha de material genético feita através da colheita de saliva. Em média têm sido recrutados 1100 novos participantes por mês.

A grande vantagem desta iniciativa será disponibilizar a toda a comunidade científica, após consentimento dos participantes, informação relativa a um enorme numero de famílias. Assim, apesar de neste momento apenas indivíduos residentes nos Estados Unidos da América serem recrutados, muitos investigadores de todo o mundo poderão aceder aos dados o que irá certamente acelerar o ritmo dos resultados obtidos na investigação. Este projeto terá por isso um impacto global na eficiência da investigação das causas da PEA e, a longo-prazo, na qualidade de vida de indivíduos com autismo e das suas famílias.

Para saber mais sobre este assunto consulte o link oficial (em inglês): SPARKForAutism.org

Autores: João Pedro Santos e Astrid Moura Vicente Fontes: SPARKForAutism.org e artigo “SPARK: A US Cohort of 50,000 Families to Accelerate Autism Research” publicado em Fevereiro ultimo na revista Neuron.
Reversal of behaviours related to autism in adult life

The Centre for Neuroscience and Cell Biology (CNC) of University of Coimbra (UC) took part in a study, published by the highly regarded 'Nature'*, which reveals that it is possible to revert some behaviours associated with autism in adult life.

A team of American scientists and the Portuguese Patricia Monteiro, investigated the gene Shank3, one of the genes related to autism, pathology without a cure that affects 70 million people around the world. In Portugal, it is estimated that the prevalence is of 1 case amongst 1000 children at school age.

Although the origin of autism is quite variable, the gene Shannk3 is associated with a monogenic form of the pathology. When a mutation appears, the protein resulting from this gene - that works as a 'scaffold' that gives access to the communication between neurons - stops supporting the structure, causing damage to the neural circuit.              

Being autism a neuropsychiatric disease that compromises the healthy development of the child and that remains forever, the team, through a ground-breaking approach, wanted to understand if it was worth it to invest on therapies targeting the adult patients.

Experiments with adult lab rats exposed to the mutation showed, for the first time, that is possible to reverse the two main symptoms of autism: lack of social interaction and repetitive behaviours.

The researchers were able to fix the 'scaffold' and re-establish the communication on the structure. 'During the adult life of this lab rats, showing that it is possible to reverse the biochemical changes, the neuronal communication problems and improve the social interaction and repetitive behaviours', Patrícia Monteiro explains. The Portuguese scientist participated in the study under the PhD Programme in Experimental Biology and Biomedicine (PDBEB) run by CNC in partnership with MIT (Massachusetts Institute of Technology).

This discovery 'opens the door to the creation of the first effective medicine on the treatment of the disease. These results indicate that, although autism is a developmental disorder, it is possible to intervene in adult life', states the co-author of the study led by MIT.

'Although these experiences with lab rats have no direct application on humans', Patrícia Monteiro highlights that the study (as mentioned below) 'helps to understand the set of biological alterations present in Autism. This study opens the door to the development of new therapeutic strategies, for instance, strategies directed to the improvement of certain behaviour alterations amenable to be reversed in adult life and not to the framework of behaviour alterations of autism as a whole'.

*The Portuguese participation was funded by the Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). The American entities that financed the study were: Poitras Centre for Affective Disorders Research at MIT, Stanley Centre for Psychiatric Research at Broad Institute of MIT and Harvard, National Institute of Health, Nancy Lurie Marks Family Foundation, Simons Foundation Autism Research Initiative (SFARI) e Simons Centre for the Social Brain at MIT.

(Source: http://noticias.uc.pt/universo-uc/estudo-publicado-na-nature-revela-que-e-possivel-reverter-sintomas-de-autismo-na-fase-adulta/)

PIN-FMH Study

PIN is collaborating in a study with the Faculdade de Motricidade Humana which aims to explore the vision of parents and siblings about how people with Autism Spectrum Disorders play with their siblings.

If you have a child with Autism (3 years old or older) and a child with healthy development, this research is for your family. To participate, you must volunteer to complete two interviews conducted by the researcher: one of the meetings is directed to the mother or father (50-60min.) and the other to one of the siblings (30-40min.).

Find out more about this study here.

 

About us

APSA- Portuguese Association for Asperger Syndrome is a non-profit Private Social Solidarity Institution (IPSS) that was created by a group of parents in Lisbon on 7 November 2003. Our Mission: To promote the support and social integration of people with Asperger's Syndrome (AS), fostering the conditions to an independent and dignified life.

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